Balaios, by O Liberal BR

Pianista e compositor Antonio Adolfo celebra a arte da música no álbum ’Balaio’

Artista tem uma trajetória marcante na música brasileira e convida o público a revisitar criações musicais diversas em uma autobiografia musical a ser lançada nesta sexta (17)

É impossível não se envolver com os sons que saem de instrumentos musicais quando bem tocados e como resultado de arranjos bem construídos. Isso vale para quem ouve e para quem toca, como ocorre quando se fala na carreira musical do compositor e músico carioca Antonio Adolfo. Aos 79 anos e mais de 60 anos de produção musical, ele saúda a diversidade da música brasileira com o lançamento do álbum “Balaio”, pela AAM Music, nesta sexta-feira (17).

O título do álbum com nove faixas tem tudo a ver com a proposta de Adolfo de revisitar seu universo sonoro junto com músicos de primeira qualidade e convidados muito especiais: o saxofonista brasileiro Leo Gandelman e o guitarrista norte-americano Thom Rotella.

Antonio Adolfo é o tipo de nome na música brasileira que dispensa apresentações. Mas vale a pena saber que ele se notabiliza como pianista, compositor, arranjador, produtor e educador musical. Com o saudoso parceiro Tibério Gaspar, compôs alguns clássicos da MPB, como “Sa Marina”, “Teletema” e “BR-3”, vencedora do Festival Internacional da Canção na voz de Tony Tornado.

Adolfo desenvolveu uma linguagem própria e uniu elementos da bossa nova, do samba, do jazz e da música erudita. Os álbuns instrumentais dele obtiveram reconhecimento internacional e o projetaram como um dos grandes pianistas do jazz brasileiro. Teve indicações e premiações para o Prêmio da Música Brasileira, dez indicações ao Grammy Latino e também uma indicação ao Grammy na categoria de Melhor Álbum de Jazz Latino pelo lançamento de 2017, 'Hybrido: from Rio to Wayne Shorter'.

Com mais de 20 álbuns gravados e mais de 200 composições, Antonio Adolfo navega pela herança musical brasileira (tradições europeias, africanas e indígenas) que gerou diversos gêneros. Em “Balaio”, Adolfo passeia por momentos de toda uma vida dedicada à música, em nove composições escritas em diferentes fases da vida artística dele. Assim, o ouvinte confere uma autobiografia musical de primeira linha.

Nesse passeio, além dos convidados especiais, Antonio Adolfo tem a companhia de Lula Galvão (guitarra elétrica e violão), Jorge Helder (baixo acústico), Rafael Barata (bateria e percussão), Jesse Sadoc (trompete e flugelhorn), Danilo Sinna (saxofone alto), Marcelo Martins (sax tenor e flauta), Rafael Rocha (trombone) e André Dantas (percussão).

“Balaios” traz ao público: “3D Blues”, gravada em 1965; “Cláudia”, com o clima do final dos anos 1960, é uma faixa no estilo Bossa Nova e que integra o álbum “Vamos partir pro mundo”, gravado por Adolfo e Leila Pinheiro em 2019; “San Expedito” (orig. Santo Expedito), feita após o músico e família terem escapado de morrer em acidentes na estrada; “Sambalaio”, de 1989; “Love Will Come”, composta em 1980 como um hino para a paz e liberdade no futuro; “My Chant”, uma valsa de 2018 e a última música de Adolfo com Tibério Gaspar; “Vision”, gravada em 1968; “Journey To The Interior” (orig. Caminhada), de 1967, e “Zah Toom Toom”, de 1978, é uma tentativa onomatopéica de traduzir o som do baixo e da batida no samba-funk.

Desde o ventre

“Minha carreira já vai chegando aos 63 anos. Minha paixão por música veio desde o ventre da minha mãe, tenho certeza, pois, quando ela estava me esperando, todos os colegas da orquestra do Teatro Municipal, onde ela era do naipe de primeiros violinos, diziam: ‘Esse filho aí, que vai nascer, certamente será músico’ “, conta Antonio Adolfo. Ele acrescenta que a casa da família dele sempre teve ambiente de música, com a mãe tocando, os colegas indo tocar em saraus, a irmã mais velha dele tocava clássico do piano e ele ouvia muito a Rádio Nacional. “Ficava sonhando com aquelas músicas”.

Estudou violino aos sete anos, mas gostava mesmo de piano e, então, acessava o instrumento nas folgas da irmã. Uma avó dele o levou até o professor Amirton Vallim, que tocava na Rádio Nacional e deu as primeiras dicas sobre acordes e tirar músicas da Bossa Nova de ouvido, nos anos 1960. Daí, Adolfo seguiu em frente.

Tem álbuns preciosos, como os que homenageiam Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e João Pernambuco (este com o grupo Nó Em Pingo d'Água). Recentemente, ele tem lançado discos autorais e em homenagem a compositores como Tom Jobim, Roberto Menescal, Carlos Lyra e Cole Porter, e mais sobre Bossa Nova e Carnaval.

“O Brasil tem uma riqueza cultural/musical imensa e temos que trazê-la à tona. Sendo assim, faço questão de gravar músicas e diversos estilos, vestidas com uma roupagem jazzística, que faz parte da minha herança musical. Tenho gravado baião, quadrilha, ijexa, toada mineira, calango, maracatu e muito mais”, diz

Sobre a música paraense, Adolfo destaca: “Leila Pinheiro, com quem gravei um disco com minha parceria com Tibério Gaspar, é uma pessoa maravilhosa, uma cantora ímpar. Eu tive a honra de trabalhar. Além dela, vamos citar aqui mais alguns: meu parceiro Paulo André Barata e seu pai, Ruy Barata. Os cantores Vital Lima e Nilson Chaves. Tive a honra de conhecer Waldemar Henrique, quando era diretor do Teatro da Paz, e de quem sempre fui admirador pela sua obra maravilhosa. E, sinceramente, pretendo voltar aí em breve… Quem sabe, isso seja mais breve do que imagino?”.

Antonio Adolfo tem músicas gravadas por Elis Regina, Wilson Simonal, Maysa, Emílio Santiago, Evinha, Sérgio Mendes, Herb Alpert, Stevie Wonder e Dionne Warwick. Ele é considerado o pioneiro da produção independente no país, com seu disco “Feito em Casa”, 1977.

“Balaios” estará disponível em formato digital em 17 de julho de 2026, em www.aammusic.com e nas principais plataformas online. CDs físicos serão vendidos na Amazon, no Bandcamp (antonioadolfo1.bandcamp.com) e na Spinney Media https://store.spinneymedia.com/collections/antonio-adol-fo?srsltid=AfmBOor5HYQ8gep6KjazgSSqDbjmsVIOcDpJLmSKJq7uHe2dBqJ0TRMT .